quarta-feira, 5 de junho de 2013

Milhões em ação!

Falta pouco.

O sul já se levantou e a ola já chega até o norte. O Brasil vem se levantando de forma amistosa, ansiosa e temerosa, com ar preso nos pulmões para gritar GOOOOOOOOLL!

Gritos! Berros! Choros! Fortes, como nunca vistos na história do Brasil: temos uma população grandiosa, que recebe benefícios do governo e sofre calada, temos PIB enganando a realidade social, temos teóricos esquecendo de viver a realidade, temos os melhores jogadores de futebol - lá fora -, temos esperança!

Ah, e a beleza natural também é um grande atrativo para investimentos no seto turístico, em que a natureza exótica e os animais exuberantes se destacam aos olhos dos estrangeiros e aos nossos, pois vemos uma manada de elefantes brancos.

Tão logo o frenesi da ola arrepiar os torcedores, sentaremos de ombros caídos - talvez extasiados por uma vitória dessa nação, outrora do futebol - surpresos com o que aconteceu nesse período de Copa. E a ola perderá seu propósito.

Iludam-nos, majestades! Joguem como se a própria Dilma estivesse a lhes chicotear. Enebriem o povo para que se engavetem escândalos políticos e esqueçamos o quanto nosso futebol tem piorado! Em futebol, leia-se: dirigentes que não pagam salário, investimentos fantasmas, torcidas organizadas para o crime...

Quanto maior for o GOOOOOOOOOLLL, mais zeros serão acrescentados ao final dos valores ganhos pelas empreiteiras, pelos bancos, pelas agências, por alguns políticos. Mas que venham bastantes feriados, ingressos-ouro, dias quente, gente de fora, mulatas e, quiçá, aquela taça que todos queremos: bem gelada! 

E o brasileiro vai atestar seu péssimo hábito em gostar de pão velho e circo fajuta. 

Pra frente Brasil!

terça-feira, 7 de maio de 2013

Hoje é dia de torcer! vou ao Hospital

Em postagem anterior fiz menção ao serviço público e à falta de estrutura por que passam alguns órgãos, como os de saúde pública, gerando não só insatisfação de seus usuários como angústia, sofrimento, dor e falta de amparo...

Hoje, no mesmo sentido, tive que procurar um tratamento de saúde no Hospital Adventista de Belém, onde tenho plano de saúde há alguns tantos anos. Fico surpreso e profundamente triste ao perceber que não há evolução nos serviços! Se a privatização ocorre nesse país que seja para servir de exemplo benéfico ao serviço público a ser seguido, e não o contrário!

O Hospital Belém - como costumamos abreviar, penso que para não macular a imagem de nenhuma religião e manter o nível de descaso dessa cidade com seus cidadãos - aumentou a cobertura dos planos de saúde a diversos segmentos, empresas (públicas e privadas), e tentou inovar em pisos de mármore, computadores novos e elevadores... Mas esqueceram o principal: cuidar da vida!!!

Com o aumento da demanda, não se observou entretanto o número de leitos, de consultórios médicos para urgência/emergência, de guichês de atendimentos para marcação de consultas ou na própria urgência. Resultado: filas de espera de no mínimo 1h.

Seria de extremo mal gosto convidá-los a conhecer essa realidade, pois quem está passando mal já sofre bastante naquelas cadeiras acolchoadas. Mas faça um teste: ligue para a marcação de consultas (0800-723 0022 / 3084-8686) e veja quanto tempo irá demorar esse atendimento.

Outro cenário que ocorre rotineiramente, e não há como culpar os profissionais da área, são as filas longas, tempo de espera exagerado para atendimento e aplicação de medicamentos. Já não seria sofrimento bastante uma dor e uma falta de laudo médico adequado, ainda ter que torcer para que tenha um medicamento (daqueles baratos, pois o hospital não disponibiliza os mais caros no pronto-socorro, logo um alérgico a medicamentos, enfrenta um problema ainda maior)...

Absurdo! Diretores enriquecendo! Gente morrendo! Qualidade de vida diminuindo! 

Falo abertamente pois a direção do Hospital e sua ouvidoria (aquele lugar em que eles riem de nossa desgraça) já fechou suas portas de atendimento a mim e a muitos conhecidos. Esse é o primeiro momento de desabafo.

PROCON, ANS, Imprensa local, e quem mais puder ajudar uma população, agitem-se e reclamem! Que País Democrático é esse que veda o acesso à saúde? 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Pensamentos e emoções guardadas no coração!

A internet ontem me boicotou de publicar o sentimento de saudade e de tristeza compartilhados pela comunidade Paraense, acadêmica e do círculo grandioso de amigos... Ainda assim, fiquei emocionado com tantas palavras bonitas escritas no facebook pelos amigos de nosso grande mestre: Ney Sardinha!

O contato inicial foi no CESUPA, sendo seu aluno de Direito Constitucional, entre puxões de orelhas severos e risadas gostosas, dentro e fora da faculdade. A amizade se intensificou com as conversas durante a musculação, quando descobri algo comum entre seus alunos: a amizade do professor Ney era intergeracional. Nossos pais são seus amigos, e assim seremos! Aliás, em classe era comum escutarmos ele falar com seu sorriso habitual que iria parar de dar aula quando chegassem os netos de seus alunos...  

Como tudo tem sua hora, até a hora de lanchar (sempre fora de sala), de sentar corretamente na cadeira ou de conversar ebriamente, os anjos vieram buscar uma alma bondosa para fazer a revolução nos céus!

Essas palavras fortes, precisas, sem medo de provocar e construir um mundo melhor ao seus netos e aos de seus alunos ficaram marcadas na memória, como motivação de ir em busca de ideais sempre grandiosos, magníficos, como foi o homem que me ensinou isso. Quando ouvi no dia da solenidade o parabéns do Ney pelo discurso (que elaborei com forte influência de seus pensamentos) me senti muito feliz! Mais feliz ainda de ter feito parte da turma que recebeu o seu nome como forma de homenagem. 
Turma Raimundo Ney Sardinha de Oliveira - CESUPA/DI10NA/08
Os abraços, os apertos de mão, os brindes serão eternizados pela saudade. Porque só fica o que é bom, o que nos faz bem. E o professor será sempre relembrado, requisitado, fonte de motivação quando nos depararmos com as dificuldades de nossa política e as atrocidades sem vergonha perpetradas por homens inescrupulosos, corruptos, para que nos tornemos fortes e conscientes com o mundo em que vivemos, à sua semelhança.

Achei interessante transcrever um trecho do filme V de Vingança que retrata as ideias do homem:

"(...) Testemunhei em primeira mão a força das ideias. Vi gente matar em nome delas e morrer defendendo-as. Mas você não pode beijar uma ideia. Não pode tocá-la ou abraçá-la. Ideias não sangram. Ideias não sentem dor. Elas não amam. E não é de uma ideia que eu sinto falta. É de um homem. Um homem que jamais esquecerei.(..)".
Vá em paz! Nossas orações são para nosso conforto e tranquilidade para seus familiares. Continuaremos lutando por aqui!

Noite de solenidade: "Se não fosse imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro" (D. Pedro II).


terça-feira, 26 de março de 2013

Um rápido olhar pelo serviço público.


Conforme o título, não apresento dados estatísticos nem matérias veiculadas pela imprensa. Encontrei dificuldade em divulgar com os leitores algum veículo que nos garantisse o mínimo de credibilidade, mas já to cansado com políticos ganhando eleições por boca de urna e nem sequer chegando ao segundo turno...
Voltarei ao foco da postagem antes que me perca pelos empreendimentos imobiliários espalhados pelas muitas esquinas de Belém.

O serviço público é constantemente alvo de críticas não pela atividade fim em si, mas pelo modo como os funcionários conduzem o mister. Evidente, que temos milhões de fatores a elencar sobre o funcionalismo público, bom ou ruim, mas quero apenas propor uma visão crítica.

Alguns órgãos têm passado por reformas grandiosas e se observa cadeiras novas, poltronas acolchoadas, paredes pintadas, portas novas, como sinal da modernização e preocupação com o atendimento ao público.

Por trás da mesa, por sua vez, encontra-se um sistema burocrático emburrecedor e defasado, que, cinicamente, esconde-se na lerdeza de um computador e na ineficiência de um servidor mal preparado. Faça o que o sistema manda: questione, dificulte, negue, protele, protele, proteja-se! O cidadão vem atacá-lo!

Em outro panorama, temos pessoas dedicadas ao melhor empenho em seus trabalhos, em atender os cidadãos a dignidade que merecemos. Entretanto, nunca é suficiente... Falta segurança, falta papel, falta seringa, falta algodão, falta professor, falta salário, falta aluno, falta seriedade, falta lápis, desvia merenda, falta verba, desvia futuro, falta VERGONHA!

sábado, 16 de março de 2013

O carroceiro e a carruagem

Por entre prédios suntosos com designs futurísticos e carros moderníssimos, com desenho japonês, holandês, coreano, marciano, trafega no turbilhão de informações uma figura pacata, que recebe ordens e buzinas sem entender o que gira ao seu redor: o puxador de carroças.

Pode ser o João, o José, o Uashigtón, o Disnei, o Pé de Pano, o Manchado... tanto faz, em menos de dois minutos ele não mais existirá em nossa visão, mas ficará - eventualmente - relinchando em alguma fila de ideias de nosso subconsciente. Enquanto aquela dupla, acostumada a se alimentar de sobras, levará a sobrevivência para a família, chegando ao fim do dia com o sentimento de dever cumprido. 

Animais de carga, como os burros, um meio de transporte popular do nordeste para o Brasil: marca da prociação e das famílias com grandes árvores genealógicas. Ou seja, para que a família possa manter-se minimamente viva, quanto mais animais de carga, mais chances de sucesso.

Quanto mais chicotada, mais incentivo! Quanto mais fome, mais vontade de trabalhar! Quanto mais carga, mais estafa! Quanto mais cansaço, mais chicotada! Quanto mais fome, mais trabalho! Quanto mais dor, mais esperança! Quanto mais caminhar, mais cansaço... Quanto mais sofrer, mais chicotada... Quanto mais chicotada, menos dor... Quanto menos dor, mais esperança... Quanto menos cansaço, enfim felicidade. E foi o último suspiro do puxador.

Logo, logo vem outro, não nos preocupemos, a família é grande! E a cidade pouco distingue os olhares cansados, de submissão, de incoformismo de um ou outro cavalo, de um ou outro ser humano.


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Até aqui, minha ideia inicial para começar as críticas. Ultimamente tem-se falado bastante sobre direito dos animais, ou direitos humanos para além dos humanos, o que deve ser defendido e estudado! Mas não devemos esquecer que é uma matéria de vanguarda, merecedora de atenção e de cuidados. Digo isto porque antes de defender os animais não humanos, os cuidados ao Homem são primordiais. 

Saúde, educação, saneamento básico ainda são precários nesse país. Não se pode legitimar a defesa de animais de estimação se não há quem os defenda. Em outras palavras, não se protege outra espécie sem antes zelarmos pela igualdade material dos cidadãos, sem antes evitarmos que crianças e velhos morram por diarréia em face da inércia do serviço público!

Um dia chegaremos lá, e pelo menos já estamos debatendo sobre o tema. O puxador de carroça, enfim, não é só o cavalo, pois ali há um trabalhador, um ser humano marginalizado, alguém em busca de cidadania. Dar ao cavalo e esquecer o homem não condiz com igualdade, nem com fraternidade. 

Em outras palavras: o Alazão terá seu valor reconhecido por cidadãos, então tornemos os puxadores em homens conscientes. 

Tirar seu animal sem garantir alternativas é, no mínimo, insensato. E há maneiras viáveis e paulatinas de tirar o puxador das ruas... Qual deles primeiro?

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Noite de Formatura. Discurso solenidade.


Discurso para a solenidade de formatura de Direito, que aconteceu dia 30/01/2013 no Hangar. Momento muito especial em que tive a oportunidade de ser o orador das turmas, a quem agradeço a cada um pela credibilidade e pela inspiração fraterna e sábia:


·         Magnífico Reitor Dr. João Paulo do Valle Mendes, do Centro Universitário do Estado do Pará;
·         Na sua pessoa saúdo todos componentes da mesa.
·         Professor Liandro Faro, paraninfo desta solenidade, na pessoa de quem saúdo todos os mestres aqui presentes.;
·         Senhores convidados especiais;
·         Colaboradores do CESUPA;
·         Colegas graduandos;
·         Familiares aqui presentes;
·         Senhoras e senhores,

Há cinco anos ingressamos na Universidade que nos chamava a trilhar o caminho das pedras. As portas abertas com um “seja bem vindo” sorridente dos funcionários não era suficientemente esclarecedor sobre o que iríamos encontrar, mas um sentimento mútuo nos envolvia e nos empolgava a conhecer as cadeiras do curso de Direito.

Hoje, após esses maravilhosos anos, chegamos aos portões para o sucesso, para o serviço à comunidade, enfim, para a felicidade, que começam a abrir, com um rangido típico de grades pouco utilizadas ou há muito esquecidas. Dessa vez, entretanto, conseguimos enxergar o que há do outro lado.

É um mundo desafiador: mistura brincadeiras infantis com agressões morais; homens continuam sendo maltratados pelos latifundiários em ritmo de trabalho escravo; as mulheres recebem punições físicas por quem deveria lhes garantir proteção e amor; as cidades possuem belíssimas habitações e deterioram qualquer habitat além de suas janelas; textos enormes são compilados na esperança de trazer ordem, e acabam aumentando o caos; as noções de lar e prisões se confundem; o preconceito exclama onipresença e onipotência; os deuses não brigam mais, pois possuem exércitos numerosos para guerrearem em seu nome; os velhos de Brasília debocham da Constituição da República Federativa do Brasil; e o salário óóó... tanto cinza embaçando nossa visão traz reflexões sobre que Azul foi visto por Yuri Gagarin, há, aproximadamente, cinco décadas.

As violências contra o planeta se manifestam pela poluição crescente, não só de dejetos físicos, mas pela pobreza, pela miséria humana e pela indiferença do ser humano às outras formas de vida, seja o seu próximo, os animais ou as plantas. Será que precisamos todo ano de catástrofes naturais para nos lembrar de que marginalizar parte da população trará efeitos danosos à coletividade? Diria Raul Seixas, com seus anos de experiência, que Buliram muito com o planeta / E o planeta como um cachorro eu vejo / Se ele já não aguenta mais as pulgas / Se livra delas num sacolejo.

Nesta desafiante jornada existiram diversos tropeços, pois são inevitáveis em uma longa caminhada.

Em algum momento chegamos até a desacreditar na justiça impávida, sentada majestosamente a nos observar; acomodar-se em um canto era o melhor convite; as provas da faculdade tiraram noites de sono, trouxeram preocupação, levaram muitos cabelos embora; uma nota vermelha piscava como um alerta sobre o papel do estudante e dos professores na academia.

As lágrimas de pesar se tornavam a melhor companhia, como se fossem lavar as angústias e carregá-las para bem longe com a fúria de uma correnteza.

Bons amigos e parentes queridos foram para algum outro lugar e nos deixaram sem seus afagos, apertos de mão, abraços para nos guiar pela melhor rota, seguimos em frente com a certeza de que a felicidade e os ensinamentos dos entes queridos são os maiores faróis a nos guiar mentalmente nas noites mais escuras.

Nesse mesmo tempo, amizades sólidas e verdadeiras foram formadas. Anjos que foram colocados em um só local, para termos uma segunda família, aquela que nós escolhemos, sempre pronta ao apoio mútuo, à solidariedade com o próximo e dispostos a uma xícara de café para intensificar os estudos ou um brinde ébrio para rir frouxamente.

Meu caro amigo, encantaria Chico Buarque, “eu não pretendo provocar / Nem atiçar suas saudades / Mas acontece que não posso me furtar / A lhe contar as novidades” (Chico Buarque – meu caro amigo)

Aqueles portões enferrujados começam a se estreitar para nossa passagem. Mas continuamos encarando-o com o olhar curioso de uma criança, a força de um jovem, e a sabedoria de nossos mestres! Se precisamos de mais coragem, façamos um pouco mais de retrospectiva ao que nos trouxe aqui...

As olheiras das noites de estudo foram recompensadas com um saber privilegiado; o caminhar foi abençoado pela mão amiga que nos carregava ou empurrava para frente; conhecemos pessoas únicas, que não sairão de nossa mente jamais; vimos que existe amor manifestando-se de diversas maneiras nos locais mais imprevisíveis; criamos a percepção de que a miséria pode ser combatida com simples atos; ganhamos um sorriso de quem necessitava de um atendimento, de uma conversa esclarecedora.

Como é bom estudar Direito, esta frondosa árvore, de imensas galharia, cujos intrincados ramos formam as variadas classificações das disciplinas da matéria jurídica exigindo, assim, o maior cuidado para destrinçar-se separadamente os galhos do copado vegetal. À sua sombra amiga se abrigam os indivíduos, povos, e nações de consciência jurídica, confiantes do agasalho e segurança que lhes proporciona a grande árvore do Direito!

A Justiça por sua vez, não significa só a conformidade com o Direito positivado, porquanto este é obra do homem, ao passo que a justiça é virtude, não escrita, mas sentida, inata, independente dos códigos.

Carregamos conosco a responsabilidade por um meio ambiente sadio, que exclui a visão típica da Guerra Fria em que só pode haver um vencedor: bom ou mau, e passamos a adotar em Políticas Públicas e nos atos civis de cidadãos de bem uma realidade economicamente viável, socialmente justa e ecologicamente equilibrada.

Lembremos de efetivar a justiça às nossas crianças, e de trazer dignidade aos idosos. Trabalhemos incansavelmente para que as gerações futuras gozem da felicidade e das benesses que nos foi proporcionada.

Utilizemos com sabedoria suprema os avanços na área da tecnologia, com o uso da informática e dos processos eletrônicos, com o intuito de agilizar o andamento processual, satisfazendo os anseios sociais... e não como forma de transformar uma pasta física em algo virtual para esconder mais fácil em uma pasta em algum disco rígido que será corroído pelos vírus da burocracia e da inércia humana.

Enalteçamos os julgamentos sérios a todos os cidadãos brasileiros e defenestremos todas formas de corrupção!

Quem viu a Constituição Federal sendo jogada no lixo, levante imediatamente de suas cadeiras e reanime o espírito democrático desse país, saliente a honra do brasileiro, retire a venda que esconde o rosto envergonhado da Deusa da Justiça para que todos sejam iguais perante a lei, e a cor branca seja símbolo de paz, e não dos colarinhos que emolduram aqueles senhores feudais. Que país é este, senhores?

Caso não queiram levantar a voz, sentem-se, e paguem seus impostos como um bom cidadão que o governo almeja. Meus caros, relembro Gonzaguinha, e relembro a vocês:

 É a gente não tem cara de panaca / a gente não tem jeito de babaca /
a gente não está com a bunda exposta na janela pra passar a mão nela.

Que daqui em diante toda lei seja interpretada a partir da nossa Constituição! E que cada decisão escolhida, cada rumo que iremos tomar seja em busca da felicidade, do bem-estar, do amor fraterno e da esperança de dias realmente justos.
Muito obrigado!

Leonardo Cunha Santa Brígida – 30/01/2013

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Desigualdade.

Primeiro, a abordagem trazida pela Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial (Decreto nº 65.810 - de 8 de dezembro de 1969):

1.  Nesta Convenção, a expressão "discriminação racial" significará qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tem por objetivo ou efeito anula ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício num mesmo plano, (em igualdade de condição), de direitos humanos e liberdades fundamentais no domínio político econômico, social, cultural ou em qualquer outro domínio de sua vida. 

Em seguida, o significado apresentado por Flávia Piovesan (Direito Internacional dos Direitos Humanos e Igualdade Étnico-Racial. In: SOUZA, Douglas Martins de; PIOVESAN, Flávia. Ordem Jurídica e Igualdade Étnico-Racial. Brasília: SEPPIR, 2006, p. 32):

Vale dizer que a discriminação significa toda distinção, exclusão, restrição ou preterência que tenha por objeto ou resultado prejudicar ou anular o exercício, em igualdade de condições, dos direitos humanos e liberdades fundamentais, nos campos políticos, econômico, social, cultural e civil ou em qualquer outro campo. Logo, a discriminação significa sempre desigualdade.

Logo, se estou sempre com amigos e quando falta luz pedem para eu sorrir para que possam me ver, ou quando visto uma blusa preta dizem que estou sem camisa, não vejo discriminação. Mas a partir do momento em que disserem que os indivíduos de pele escura não puderem mais rir junto aos brancos ou algum cidadão de pele clara tiver fila preferencial em bancos, escolas, farmácias, universidade, cargos públicos... aí sim, vou me sentir discriminado.

domingo, 25 de novembro de 2012

ENADE, a atualidade e o que não queremos.

Ainda não tenho muito conhecimento de causa para comentar sobre a prova do ENADE realizada neste domingo dia 25.11.12. Por enquanto, reúno apenas os aspectos negativos, tais como o horário de realização da prova (12:00h) totalmente desconfortável e o grande número de textos feitos para cansar o aluno (quais seriam os critérios a ser avaliados? Capacidade de leitura ou conhecimento específico? Não sei, então só levanto questionamento).

O que me chama a atenção, até por gostar da temática, é a constante menção nas últimas provas de concurso (ou no ENADE) sobre os temas que falam de Meio Ambiente, em especial ao Desenvolvimento Sustentável.

O assunto é recorrente plea importância midiática e pela própria conjectura globalizada que nos remete à preocupação com os recursos naturais.

O que faremos sem eles? 

Daremos aos nossos netos esse poder de decisão?

Com esse viés preocupante e alarmante, deparei-me com uma questão de conhecimentos gerais sobre Desenvolvimento Sustentável nesta prova do ENADE, com um espaço mínimo de 15 linhas (mais um aspecto negativo) para a resposta. Ainda assim, merece aplauso o Ministério da Educação por estimular o brasileiro a pensar de alguma forma sobre a proteção ao meio ambiente e ao desenvolvimento econômico (lembrando que o dever de casa não é atividade extracurricular dos cidadãos apenas, mas dos agentes político-administrativos, igualmente).

A outra questão na parte de conhecimentos gerais versa também sobre temas da atualidade, o que entendo como temeroso e angustiante. A proposta era falar sobre a violência atual, com especial atenção àquela cometida dentro das escolas. Que esteja na pauta da elaboração das políticas públicas! Entretanto, que não nos transforme em uma sociedade do medo.

Neste sentido, a semelhança entre as duas abordagens, é que tanto o Desenvolvimento Sustentável como a violência, em uma leitura rápida e superficial, nos caminham à aparente ideia de que há uma luta entre o bem e o mal. 

De qual lado você está?!

Pergunta direta, carregada de implicações sociais, políticas, econômicas, culturais...

Aproveito o ensejo para refletir sobre o tamanho dos muros que erguemos em nossas fortalezas, acompanhadas pelas cercas eletrificadas e câmeras de segurança com alta tecnologia. Será que adianta tanta proteção para nos prender em casa se a violência continua entrando pelas manchetes de jornais, pela televisão mentirosa e dissimuladora, pelo mau uso da internet...?

Espero que os próximos temas para serem refletidos em sala de aula tratem da inclusão do negro em condições de igualdade material, que incentivem a busca por tecnologias para facilitar o acesso dos deficientes físicos em qualquer esfera social, que aborde a capacidade - afetiva e responsável - que os homossexuais possuem em criar seus filhos... Enfim, que a violência seja discutida enquanto políticas públicas e não como o cenário montado para atuarmos no cotidiano.

sábado, 22 de setembro de 2012

As aparências [não] enganam!

Deu uma vontade sarcástica de rir das notícias de hoje. Até comecei a achar graça quando fui tolhido eticamente e vi que determinadas ironias podem ter um grau de preocupação social maior do que se imagina.

É pouco provável que alguém ainda não tenha escutado a música aversiva aos diabéticos ("agora fiquei doce, doce, doce...."), em que o cerne da evolução de vida do eu-lírico cantor é a aquisição de uma herança e na compra de um camaro amarelo. 

Essa imagem propagandeada pela mídia em geral, acaba influenciando essas novas duplas sertanejas, forrozeiras, pagodeiras, para adquirirem o imponente e caro veículo! Tudo como símbolo de status, poder econômico e domínio sobre o sexo oposto.

Não me interessa entrar no mérito da pobreza das rimas ou no gosto musical em si. O que me indago é sobre os reflexos sociais desse tipo de música. A música é um reflexo do comportamento ou é ela quem dita os novos meios de se ridicularizar em público? (desde logo, não considero o baixo nível de educação nacional um reflexo dos versos medíocres, pois o Brasil nunca ocupou o primeiro lugar em educação pública e ainda assim temos boas produções literárias, musicais, teatrais... Talvez a massificação midiática tenha mais parcela de culpa do que a educação em si mesma. Ou vão me dizer que os acadêmicos de qualquer curso superior estão ouvindo, vendo, produzindo apenas matérias eruditas?!)

Primeiro aspecto, dinheiro e bens materiais são associados como único meio de sucesso nas conquistas amorosas, sendo um cenário bem aceito por homens e mulheres.
Em seguida, ter tais bens caracteriza inclusive um poder para selecionar quem irá fazer parte do seu relacionamento noturno, uma vez que seu novo camaro atrai várias amizades, fazendo até sobrar mulher.

Logo, basta observar para perceber que seu colega de queixo erguido e chave do carro pendurada na cintura, não possui valores de respeito, de amor, de inteligência... porque se limita a ver qual amarelo que pinta o carro é mais parecido com ouro. 

Se você não é podre de rico, nem o Thor Batista para brincar de carro na vida real igual quando tinha 6 anos de idade, não pense que é fácil manter seu camaro! A irresponsabilidade continua e um dia a herança acaba...

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Só queria atravessar.

Cada vez mais, entre 06h e 05 da manhã, o trânsito consegue me aborrecer um pouquinho mais. Acredito que nem  Buda teria tanta paciência se dirigisse aqui em Belém.

Irei tentar ser pontual para não fazer desta postagem um tratado sobre atrocidades no trânsito, abordando, fundamentalmente, aspectos ignorados pela pouca atenção que se dedica a elementos FORMADORES do tráfego como um todo.

Primeiramente, pontos de táxi! Nada contra o trabalho digno desses profissionais! Fico p... é com o excesso de locais destinados para esse segmento do transporte urbano, que chegam muitas vezes a ocupar quarteirões inteiros! Vivemos em uma cidade mal planejada? Talvez... Mas não em uma cidade onde as pessoas não possam andar, não possam falar no telefone ou em um rádio para CHAMAR O TÁXI ATÉ O LOCAL ONDE SE ENCONTRA. Quer ver só um exemplo: aeroporto internacional de Belém! Os locais de embarque e desembarque estão ocupados por taxistas fazendo-nos parar em fila dupla na maioria dos casos (com os comparsas da CTBel de prontidão para nos apitar uma multa). Ora, bem em frente ao aeroporto há um imenso estacionamento e com áreas suficientes para abrigar os taxistas com conforto e segurança. Por que não colocar uns funcionários da associação/cooperativa nas portas do aeroporto perguntando quem quer táxi, e assim o acionavam pelo rádio. Simples e capaz de organizar o trânsito, servindo de modelo para outras áreas conturbadas da cidade.

Em seguida, fico preocupado com as faixas de pedestres sem semáforo! Já estamos adquirindo a educação para respeitar o pedestre, que também deve ter a consciência de não ficar parado na beira da rua sem fazer sinal indicativos de que irá atravessar. Até aí tudo bem... ocorre que não há como visualizar o transeunte pois as faixas de pedestres começam onde terminam os locais para os carros estacionarem (incluídos aí os mesmos pontos de táxi...). Exemplo: Trav. São Pedro, saída do shopping, recentemente instalado o sistema de binário. Da Alameda São Pedro existe uma faixa que permite atravessarmos em direção a uma outra loja em frente ao shopping. Todavia, para o motorista, só é visível o pedestre que sai do shopping para o outro lado da rua, uma vez que não há obstáculos visuais; o que não contempla os pedestres fazendo o sentindo inverso, pois só se consegue avistá-los quando já iniciaram a travessia, após se revelarem por detrás de um táxi. Bastava delimitar uma área maior entre a faixa e o primeiro carro estacionado antes dela...

Falando em shopping, será que só os guardas de trânsito dali não percebem que os caminhões estão carregando e descarregando a qualquer hora do dia, quando lhes é expressamente vedado, inclusive com placas orientando os horários mais adequados?!!!

Detalhes mínimos, sem custos elevados, basta consciência e boa vontade. Não precisa todo um BRasil de Trabalho!