terça-feira, 26 de março de 2013

Um rápido olhar pelo serviço público.


Conforme o título, não apresento dados estatísticos nem matérias veiculadas pela imprensa. Encontrei dificuldade em divulgar com os leitores algum veículo que nos garantisse o mínimo de credibilidade, mas já to cansado com políticos ganhando eleições por boca de urna e nem sequer chegando ao segundo turno...
Voltarei ao foco da postagem antes que me perca pelos empreendimentos imobiliários espalhados pelas muitas esquinas de Belém.

O serviço público é constantemente alvo de críticas não pela atividade fim em si, mas pelo modo como os funcionários conduzem o mister. Evidente, que temos milhões de fatores a elencar sobre o funcionalismo público, bom ou ruim, mas quero apenas propor uma visão crítica.

Alguns órgãos têm passado por reformas grandiosas e se observa cadeiras novas, poltronas acolchoadas, paredes pintadas, portas novas, como sinal da modernização e preocupação com o atendimento ao público.

Por trás da mesa, por sua vez, encontra-se um sistema burocrático emburrecedor e defasado, que, cinicamente, esconde-se na lerdeza de um computador e na ineficiência de um servidor mal preparado. Faça o que o sistema manda: questione, dificulte, negue, protele, protele, proteja-se! O cidadão vem atacá-lo!

Em outro panorama, temos pessoas dedicadas ao melhor empenho em seus trabalhos, em atender os cidadãos a dignidade que merecemos. Entretanto, nunca é suficiente... Falta segurança, falta papel, falta seringa, falta algodão, falta professor, falta salário, falta aluno, falta seriedade, falta lápis, desvia merenda, falta verba, desvia futuro, falta VERGONHA!

sábado, 16 de março de 2013

O carroceiro e a carruagem

Por entre prédios suntosos com designs futurísticos e carros moderníssimos, com desenho japonês, holandês, coreano, marciano, trafega no turbilhão de informações uma figura pacata, que recebe ordens e buzinas sem entender o que gira ao seu redor: o puxador de carroças.

Pode ser o João, o José, o Uashigtón, o Disnei, o Pé de Pano, o Manchado... tanto faz, em menos de dois minutos ele não mais existirá em nossa visão, mas ficará - eventualmente - relinchando em alguma fila de ideias de nosso subconsciente. Enquanto aquela dupla, acostumada a se alimentar de sobras, levará a sobrevivência para a família, chegando ao fim do dia com o sentimento de dever cumprido. 

Animais de carga, como os burros, um meio de transporte popular do nordeste para o Brasil: marca da prociação e das famílias com grandes árvores genealógicas. Ou seja, para que a família possa manter-se minimamente viva, quanto mais animais de carga, mais chances de sucesso.

Quanto mais chicotada, mais incentivo! Quanto mais fome, mais vontade de trabalhar! Quanto mais carga, mais estafa! Quanto mais cansaço, mais chicotada! Quanto mais fome, mais trabalho! Quanto mais dor, mais esperança! Quanto mais caminhar, mais cansaço... Quanto mais sofrer, mais chicotada... Quanto mais chicotada, menos dor... Quanto menos dor, mais esperança... Quanto menos cansaço, enfim felicidade. E foi o último suspiro do puxador.

Logo, logo vem outro, não nos preocupemos, a família é grande! E a cidade pouco distingue os olhares cansados, de submissão, de incoformismo de um ou outro cavalo, de um ou outro ser humano.


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Até aqui, minha ideia inicial para começar as críticas. Ultimamente tem-se falado bastante sobre direito dos animais, ou direitos humanos para além dos humanos, o que deve ser defendido e estudado! Mas não devemos esquecer que é uma matéria de vanguarda, merecedora de atenção e de cuidados. Digo isto porque antes de defender os animais não humanos, os cuidados ao Homem são primordiais. 

Saúde, educação, saneamento básico ainda são precários nesse país. Não se pode legitimar a defesa de animais de estimação se não há quem os defenda. Em outras palavras, não se protege outra espécie sem antes zelarmos pela igualdade material dos cidadãos, sem antes evitarmos que crianças e velhos morram por diarréia em face da inércia do serviço público!

Um dia chegaremos lá, e pelo menos já estamos debatendo sobre o tema. O puxador de carroça, enfim, não é só o cavalo, pois ali há um trabalhador, um ser humano marginalizado, alguém em busca de cidadania. Dar ao cavalo e esquecer o homem não condiz com igualdade, nem com fraternidade. 

Em outras palavras: o Alazão terá seu valor reconhecido por cidadãos, então tornemos os puxadores em homens conscientes. 

Tirar seu animal sem garantir alternativas é, no mínimo, insensato. E há maneiras viáveis e paulatinas de tirar o puxador das ruas... Qual deles primeiro?

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Noite de Formatura. Discurso solenidade.


Discurso para a solenidade de formatura de Direito, que aconteceu dia 30/01/2013 no Hangar. Momento muito especial em que tive a oportunidade de ser o orador das turmas, a quem agradeço a cada um pela credibilidade e pela inspiração fraterna e sábia:


·         Magnífico Reitor Dr. João Paulo do Valle Mendes, do Centro Universitário do Estado do Pará;
·         Na sua pessoa saúdo todos componentes da mesa.
·         Professor Liandro Faro, paraninfo desta solenidade, na pessoa de quem saúdo todos os mestres aqui presentes.;
·         Senhores convidados especiais;
·         Colaboradores do CESUPA;
·         Colegas graduandos;
·         Familiares aqui presentes;
·         Senhoras e senhores,

Há cinco anos ingressamos na Universidade que nos chamava a trilhar o caminho das pedras. As portas abertas com um “seja bem vindo” sorridente dos funcionários não era suficientemente esclarecedor sobre o que iríamos encontrar, mas um sentimento mútuo nos envolvia e nos empolgava a conhecer as cadeiras do curso de Direito.

Hoje, após esses maravilhosos anos, chegamos aos portões para o sucesso, para o serviço à comunidade, enfim, para a felicidade, que começam a abrir, com um rangido típico de grades pouco utilizadas ou há muito esquecidas. Dessa vez, entretanto, conseguimos enxergar o que há do outro lado.

É um mundo desafiador: mistura brincadeiras infantis com agressões morais; homens continuam sendo maltratados pelos latifundiários em ritmo de trabalho escravo; as mulheres recebem punições físicas por quem deveria lhes garantir proteção e amor; as cidades possuem belíssimas habitações e deterioram qualquer habitat além de suas janelas; textos enormes são compilados na esperança de trazer ordem, e acabam aumentando o caos; as noções de lar e prisões se confundem; o preconceito exclama onipresença e onipotência; os deuses não brigam mais, pois possuem exércitos numerosos para guerrearem em seu nome; os velhos de Brasília debocham da Constituição da República Federativa do Brasil; e o salário óóó... tanto cinza embaçando nossa visão traz reflexões sobre que Azul foi visto por Yuri Gagarin, há, aproximadamente, cinco décadas.

As violências contra o planeta se manifestam pela poluição crescente, não só de dejetos físicos, mas pela pobreza, pela miséria humana e pela indiferença do ser humano às outras formas de vida, seja o seu próximo, os animais ou as plantas. Será que precisamos todo ano de catástrofes naturais para nos lembrar de que marginalizar parte da população trará efeitos danosos à coletividade? Diria Raul Seixas, com seus anos de experiência, que Buliram muito com o planeta / E o planeta como um cachorro eu vejo / Se ele já não aguenta mais as pulgas / Se livra delas num sacolejo.

Nesta desafiante jornada existiram diversos tropeços, pois são inevitáveis em uma longa caminhada.

Em algum momento chegamos até a desacreditar na justiça impávida, sentada majestosamente a nos observar; acomodar-se em um canto era o melhor convite; as provas da faculdade tiraram noites de sono, trouxeram preocupação, levaram muitos cabelos embora; uma nota vermelha piscava como um alerta sobre o papel do estudante e dos professores na academia.

As lágrimas de pesar se tornavam a melhor companhia, como se fossem lavar as angústias e carregá-las para bem longe com a fúria de uma correnteza.

Bons amigos e parentes queridos foram para algum outro lugar e nos deixaram sem seus afagos, apertos de mão, abraços para nos guiar pela melhor rota, seguimos em frente com a certeza de que a felicidade e os ensinamentos dos entes queridos são os maiores faróis a nos guiar mentalmente nas noites mais escuras.

Nesse mesmo tempo, amizades sólidas e verdadeiras foram formadas. Anjos que foram colocados em um só local, para termos uma segunda família, aquela que nós escolhemos, sempre pronta ao apoio mútuo, à solidariedade com o próximo e dispostos a uma xícara de café para intensificar os estudos ou um brinde ébrio para rir frouxamente.

Meu caro amigo, encantaria Chico Buarque, “eu não pretendo provocar / Nem atiçar suas saudades / Mas acontece que não posso me furtar / A lhe contar as novidades” (Chico Buarque – meu caro amigo)

Aqueles portões enferrujados começam a se estreitar para nossa passagem. Mas continuamos encarando-o com o olhar curioso de uma criança, a força de um jovem, e a sabedoria de nossos mestres! Se precisamos de mais coragem, façamos um pouco mais de retrospectiva ao que nos trouxe aqui...

As olheiras das noites de estudo foram recompensadas com um saber privilegiado; o caminhar foi abençoado pela mão amiga que nos carregava ou empurrava para frente; conhecemos pessoas únicas, que não sairão de nossa mente jamais; vimos que existe amor manifestando-se de diversas maneiras nos locais mais imprevisíveis; criamos a percepção de que a miséria pode ser combatida com simples atos; ganhamos um sorriso de quem necessitava de um atendimento, de uma conversa esclarecedora.

Como é bom estudar Direito, esta frondosa árvore, de imensas galharia, cujos intrincados ramos formam as variadas classificações das disciplinas da matéria jurídica exigindo, assim, o maior cuidado para destrinçar-se separadamente os galhos do copado vegetal. À sua sombra amiga se abrigam os indivíduos, povos, e nações de consciência jurídica, confiantes do agasalho e segurança que lhes proporciona a grande árvore do Direito!

A Justiça por sua vez, não significa só a conformidade com o Direito positivado, porquanto este é obra do homem, ao passo que a justiça é virtude, não escrita, mas sentida, inata, independente dos códigos.

Carregamos conosco a responsabilidade por um meio ambiente sadio, que exclui a visão típica da Guerra Fria em que só pode haver um vencedor: bom ou mau, e passamos a adotar em Políticas Públicas e nos atos civis de cidadãos de bem uma realidade economicamente viável, socialmente justa e ecologicamente equilibrada.

Lembremos de efetivar a justiça às nossas crianças, e de trazer dignidade aos idosos. Trabalhemos incansavelmente para que as gerações futuras gozem da felicidade e das benesses que nos foi proporcionada.

Utilizemos com sabedoria suprema os avanços na área da tecnologia, com o uso da informática e dos processos eletrônicos, com o intuito de agilizar o andamento processual, satisfazendo os anseios sociais... e não como forma de transformar uma pasta física em algo virtual para esconder mais fácil em uma pasta em algum disco rígido que será corroído pelos vírus da burocracia e da inércia humana.

Enalteçamos os julgamentos sérios a todos os cidadãos brasileiros e defenestremos todas formas de corrupção!

Quem viu a Constituição Federal sendo jogada no lixo, levante imediatamente de suas cadeiras e reanime o espírito democrático desse país, saliente a honra do brasileiro, retire a venda que esconde o rosto envergonhado da Deusa da Justiça para que todos sejam iguais perante a lei, e a cor branca seja símbolo de paz, e não dos colarinhos que emolduram aqueles senhores feudais. Que país é este, senhores?

Caso não queiram levantar a voz, sentem-se, e paguem seus impostos como um bom cidadão que o governo almeja. Meus caros, relembro Gonzaguinha, e relembro a vocês:

 É a gente não tem cara de panaca / a gente não tem jeito de babaca /
a gente não está com a bunda exposta na janela pra passar a mão nela.

Que daqui em diante toda lei seja interpretada a partir da nossa Constituição! E que cada decisão escolhida, cada rumo que iremos tomar seja em busca da felicidade, do bem-estar, do amor fraterno e da esperança de dias realmente justos.
Muito obrigado!

Leonardo Cunha Santa Brígida – 30/01/2013

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Desigualdade.

Primeiro, a abordagem trazida pela Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial (Decreto nº 65.810 - de 8 de dezembro de 1969):

1.  Nesta Convenção, a expressão "discriminação racial" significará qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tem por objetivo ou efeito anula ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício num mesmo plano, (em igualdade de condição), de direitos humanos e liberdades fundamentais no domínio político econômico, social, cultural ou em qualquer outro domínio de sua vida. 

Em seguida, o significado apresentado por Flávia Piovesan (Direito Internacional dos Direitos Humanos e Igualdade Étnico-Racial. In: SOUZA, Douglas Martins de; PIOVESAN, Flávia. Ordem Jurídica e Igualdade Étnico-Racial. Brasília: SEPPIR, 2006, p. 32):

Vale dizer que a discriminação significa toda distinção, exclusão, restrição ou preterência que tenha por objeto ou resultado prejudicar ou anular o exercício, em igualdade de condições, dos direitos humanos e liberdades fundamentais, nos campos políticos, econômico, social, cultural e civil ou em qualquer outro campo. Logo, a discriminação significa sempre desigualdade.

Logo, se estou sempre com amigos e quando falta luz pedem para eu sorrir para que possam me ver, ou quando visto uma blusa preta dizem que estou sem camisa, não vejo discriminação. Mas a partir do momento em que disserem que os indivíduos de pele escura não puderem mais rir junto aos brancos ou algum cidadão de pele clara tiver fila preferencial em bancos, escolas, farmácias, universidade, cargos públicos... aí sim, vou me sentir discriminado.

domingo, 25 de novembro de 2012

ENADE, a atualidade e o que não queremos.

Ainda não tenho muito conhecimento de causa para comentar sobre a prova do ENADE realizada neste domingo dia 25.11.12. Por enquanto, reúno apenas os aspectos negativos, tais como o horário de realização da prova (12:00h) totalmente desconfortável e o grande número de textos feitos para cansar o aluno (quais seriam os critérios a ser avaliados? Capacidade de leitura ou conhecimento específico? Não sei, então só levanto questionamento).

O que me chama a atenção, até por gostar da temática, é a constante menção nas últimas provas de concurso (ou no ENADE) sobre os temas que falam de Meio Ambiente, em especial ao Desenvolvimento Sustentável.

O assunto é recorrente plea importância midiática e pela própria conjectura globalizada que nos remete à preocupação com os recursos naturais.

O que faremos sem eles? 

Daremos aos nossos netos esse poder de decisão?

Com esse viés preocupante e alarmante, deparei-me com uma questão de conhecimentos gerais sobre Desenvolvimento Sustentável nesta prova do ENADE, com um espaço mínimo de 15 linhas (mais um aspecto negativo) para a resposta. Ainda assim, merece aplauso o Ministério da Educação por estimular o brasileiro a pensar de alguma forma sobre a proteção ao meio ambiente e ao desenvolvimento econômico (lembrando que o dever de casa não é atividade extracurricular dos cidadãos apenas, mas dos agentes político-administrativos, igualmente).

A outra questão na parte de conhecimentos gerais versa também sobre temas da atualidade, o que entendo como temeroso e angustiante. A proposta era falar sobre a violência atual, com especial atenção àquela cometida dentro das escolas. Que esteja na pauta da elaboração das políticas públicas! Entretanto, que não nos transforme em uma sociedade do medo.

Neste sentido, a semelhança entre as duas abordagens, é que tanto o Desenvolvimento Sustentável como a violência, em uma leitura rápida e superficial, nos caminham à aparente ideia de que há uma luta entre o bem e o mal. 

De qual lado você está?!

Pergunta direta, carregada de implicações sociais, políticas, econômicas, culturais...

Aproveito o ensejo para refletir sobre o tamanho dos muros que erguemos em nossas fortalezas, acompanhadas pelas cercas eletrificadas e câmeras de segurança com alta tecnologia. Será que adianta tanta proteção para nos prender em casa se a violência continua entrando pelas manchetes de jornais, pela televisão mentirosa e dissimuladora, pelo mau uso da internet...?

Espero que os próximos temas para serem refletidos em sala de aula tratem da inclusão do negro em condições de igualdade material, que incentivem a busca por tecnologias para facilitar o acesso dos deficientes físicos em qualquer esfera social, que aborde a capacidade - afetiva e responsável - que os homossexuais possuem em criar seus filhos... Enfim, que a violência seja discutida enquanto políticas públicas e não como o cenário montado para atuarmos no cotidiano.

sábado, 22 de setembro de 2012

As aparências [não] enganam!

Deu uma vontade sarcástica de rir das notícias de hoje. Até comecei a achar graça quando fui tolhido eticamente e vi que determinadas ironias podem ter um grau de preocupação social maior do que se imagina.

É pouco provável que alguém ainda não tenha escutado a música aversiva aos diabéticos ("agora fiquei doce, doce, doce...."), em que o cerne da evolução de vida do eu-lírico cantor é a aquisição de uma herança e na compra de um camaro amarelo. 

Essa imagem propagandeada pela mídia em geral, acaba influenciando essas novas duplas sertanejas, forrozeiras, pagodeiras, para adquirirem o imponente e caro veículo! Tudo como símbolo de status, poder econômico e domínio sobre o sexo oposto.

Não me interessa entrar no mérito da pobreza das rimas ou no gosto musical em si. O que me indago é sobre os reflexos sociais desse tipo de música. A música é um reflexo do comportamento ou é ela quem dita os novos meios de se ridicularizar em público? (desde logo, não considero o baixo nível de educação nacional um reflexo dos versos medíocres, pois o Brasil nunca ocupou o primeiro lugar em educação pública e ainda assim temos boas produções literárias, musicais, teatrais... Talvez a massificação midiática tenha mais parcela de culpa do que a educação em si mesma. Ou vão me dizer que os acadêmicos de qualquer curso superior estão ouvindo, vendo, produzindo apenas matérias eruditas?!)

Primeiro aspecto, dinheiro e bens materiais são associados como único meio de sucesso nas conquistas amorosas, sendo um cenário bem aceito por homens e mulheres.
Em seguida, ter tais bens caracteriza inclusive um poder para selecionar quem irá fazer parte do seu relacionamento noturno, uma vez que seu novo camaro atrai várias amizades, fazendo até sobrar mulher.

Logo, basta observar para perceber que seu colega de queixo erguido e chave do carro pendurada na cintura, não possui valores de respeito, de amor, de inteligência... porque se limita a ver qual amarelo que pinta o carro é mais parecido com ouro. 

Se você não é podre de rico, nem o Thor Batista para brincar de carro na vida real igual quando tinha 6 anos de idade, não pense que é fácil manter seu camaro! A irresponsabilidade continua e um dia a herança acaba...

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Só queria atravessar.

Cada vez mais, entre 06h e 05 da manhã, o trânsito consegue me aborrecer um pouquinho mais. Acredito que nem  Buda teria tanta paciência se dirigisse aqui em Belém.

Irei tentar ser pontual para não fazer desta postagem um tratado sobre atrocidades no trânsito, abordando, fundamentalmente, aspectos ignorados pela pouca atenção que se dedica a elementos FORMADORES do tráfego como um todo.

Primeiramente, pontos de táxi! Nada contra o trabalho digno desses profissionais! Fico p... é com o excesso de locais destinados para esse segmento do transporte urbano, que chegam muitas vezes a ocupar quarteirões inteiros! Vivemos em uma cidade mal planejada? Talvez... Mas não em uma cidade onde as pessoas não possam andar, não possam falar no telefone ou em um rádio para CHAMAR O TÁXI ATÉ O LOCAL ONDE SE ENCONTRA. Quer ver só um exemplo: aeroporto internacional de Belém! Os locais de embarque e desembarque estão ocupados por taxistas fazendo-nos parar em fila dupla na maioria dos casos (com os comparsas da CTBel de prontidão para nos apitar uma multa). Ora, bem em frente ao aeroporto há um imenso estacionamento e com áreas suficientes para abrigar os taxistas com conforto e segurança. Por que não colocar uns funcionários da associação/cooperativa nas portas do aeroporto perguntando quem quer táxi, e assim o acionavam pelo rádio. Simples e capaz de organizar o trânsito, servindo de modelo para outras áreas conturbadas da cidade.

Em seguida, fico preocupado com as faixas de pedestres sem semáforo! Já estamos adquirindo a educação para respeitar o pedestre, que também deve ter a consciência de não ficar parado na beira da rua sem fazer sinal indicativos de que irá atravessar. Até aí tudo bem... ocorre que não há como visualizar o transeunte pois as faixas de pedestres começam onde terminam os locais para os carros estacionarem (incluídos aí os mesmos pontos de táxi...). Exemplo: Trav. São Pedro, saída do shopping, recentemente instalado o sistema de binário. Da Alameda São Pedro existe uma faixa que permite atravessarmos em direção a uma outra loja em frente ao shopping. Todavia, para o motorista, só é visível o pedestre que sai do shopping para o outro lado da rua, uma vez que não há obstáculos visuais; o que não contempla os pedestres fazendo o sentindo inverso, pois só se consegue avistá-los quando já iniciaram a travessia, após se revelarem por detrás de um táxi. Bastava delimitar uma área maior entre a faixa e o primeiro carro estacionado antes dela...

Falando em shopping, será que só os guardas de trânsito dali não percebem que os caminhões estão carregando e descarregando a qualquer hora do dia, quando lhes é expressamente vedado, inclusive com placas orientando os horários mais adequados?!!!

Detalhes mínimos, sem custos elevados, basta consciência e boa vontade. Não precisa todo um BRasil de Trabalho!

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Não! Pára!

Tentando entender os formatos das nuvens escutei na rádio a propaganda da mais nova cerveja (??) da marca Nova Schin, denominada "no Grau". Dizem por aí que é um investimento para competir com a aguada Brahma Fresh no comércio das regiões mais quentes do Brasil: norte, nordeste e centro-oeste.

Não me causou tanto espanto a ignorância dos sites de propaganda que anunciam como uma nova cerveja para "o Nordeste" (o que inclui do Acre à Paraíba!), mas fui pego pela musiquinha que embala a chamada para a compra do produto.

Também não é digna de ser reproduzida aqui.

Atentemo-nos, entretanto, à parte final da letra que declama: "a única com o ingrediente não pára, não pára, não pára...." e, logo em seguida, rapidamente, pois se o tempo se estender ficará mais cara a veiculação nos meios de informação, vem a recomendação: "Beba com moderação".

Caros publicitários, é pra beber sem parar ou não?

Esse ingrediente não deveria ser aceito pelos órgãos reguladores (de produção, de veiculação de mídias...) em razão do momento que vivemos e da intensa batalha pela redução de mortes no trânsito, causadas em sua grande maioria pela má combinação álcool e direção.

Portanto, publicitários, empresários: Não! Pára!

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Extra! Compre o medo e espalhe a violência.

Lembra quando os professores do ensino infantil perguntavam se líamos jornal em casa? 
Hoje, não incentivo ninguém a este tipo de leitura. 

Antes de parecer alienado ou preguiçoso, considero-me político. Não no sentido partidário, pois se assim fosse poderia muito bem optar por um dos dois melhores e maiores jornais da região norte. Mas de participar da vida de minha cidade e não de sua morte.

Manchetes diárias - e até no domingo, quando você leria o jornal em âmbito mais familiar - derramam sangue pelas páginas, fazendo os editores escorregarem os dedos nos teclados e produzirem os textos mais abominantes, em sentido e em gramática.

Como posso querer ler jornal se nem conjugação verbal está sendo aplicada? E ainda querem nos dar dicas de como passar no ENEM e outros concursos públicos...

Parece atrativo a desgraça alheia, a bala perdida encontrada por um desavisado, a separação, as notícias da Casa mais badalada do Brasil! Não, não! Nada de Casa Civil, é o BBB mesmo, com seus heróis e suas musas!

Não merece o meu respeito um jornaleco que manda um repórter perguntar como se sente um pai ao ter acabado de perder seu filho pelas mãos de um assaltante! Não merece ser lida uma notícia que lhe mostra o passo-a-passo - atualizado - de como se comportar em um sequestro! 

Quem criou essa mídia desconcertada? Os romanos distraíam sua população com espetáculos sangrentos, e fazemos o mesmo sem sentir o cheiro de carne podre, apenas a podridão dos editoriais.

Será que a imprensa só atua assim porque a população demanda? Ou a mídia nos mostra qual é a nossa necessidade?

Lendo um artigo (Democratização pelos "mass media"? - Airton Cerqueira-Leite Seelaender), encontrei respaldo para essas indagações: “Rebaixada ao nível de uma novela centrada em conflitos pessoais, a política adquire as feições de um espetáculo curioso, no qual o êxito dos atores depende sobretudo da qualidade de seu desempenho segundo os parâmetros televisivos – a imagem e o domínio da câmera tornam-se essencial. Não é por outra razão que se multiplica, hoje em dia, o número de líderes políticos egressos do cinema, a ponto de ex-atores se converterem em referência política na Índia e chegarem mesmo a ocupar cargos como a presidência dos Estados Unidos e o governo da Califórnia.”

Nem vou tão longe, para saber que "pior do que tá não fica".  Fica sim! Pois quando o indivíduo aceita com comodismo e descrença as atitudes públicas, perde seu caráter de civilidade, deixando de reclamar e tomar decisões que ordenem sua pólis! Sejamos cidadãos! Ou acreditamos na mídia, que nos chama de cidadãos pelo simples fato de portarmos uma certidão civil, mas não permite que sejamos ouvidos, nos engana com crueldade e nos fomenta o medo e a intolerância.

Ou podemos também acreditar em nós mesmos! E perceber que o inimigo não está por fora de nossas cercas elétricas e câmeras de segurança.... está bem próximo, em cima do sofá, esperando que você suje seus dedos com uma tinta coagulada.







terça-feira, 19 de junho de 2012

Mistura que eles gostam.

 Atualmente, o bombardeio de informações que nos chegam todo dia através das mais diversas mídias e meios de comunicação servem como um desafio de armazenamento ao nosso cérebro. Será que é possível aprender e guardar tudo o que se vê, ouve, critica? Será que é possível fazer pesquisas sem o infiltrado "Google"?

Nesse cenário, quase apocalíptico, observamos músicas chicletes (não simplesmente porque grudam, mas perdem a graça tão logo ficam sem açúcar) tocando na sua rádio favorita, no seu cd recém gravado, no pen drive do amigo, no carro ao seu lado no semáforo, e até no toca-disco de seu avô...

Não precisa estar tão doido quanto um bolo (?!) mas quando o som lhe tocar o tímpano, não esquecerás jamais! E logo, logo estarás batendo o pé num ritmo animado ou gritando aqueles versos de paixão [universitária]. 

Até gosto destas músicas. Um país erudito demais seria chato, e não poderíamos deixar a mente vagar em um mar sonoro (tchuuu...tchaaa....tchuuu....tchaaa...), como ondas que vão e vem, que trazem a renovação.
Tão pouco conheço o nível de escolaridade dessas novas duplas sertanejas perdidas na solidão após uma superação emocional de sua fase emo, em que se intitulam como se fossem pares para homenagear seus antecessores e galgar nos seus sucessos, mas apresentam-se isoladamente no palco (Luan e Santana; Michel e Teló;  Gustavo Lima e Você [!!!]).

Isso pode ser considerada uma consequência da globalização em que levou nesses últimos anos o sertanejo do interior para o Brasil e para o mundo. O mesmo fenômeno está acontecendo com o brega e seus consectários do Norte do país, que se espalham pelo Brasilzão de todos nós.

O que me incomoda mesmo é ouvir a voz de um cantor famoso (de forró, por exemplo) e não entender que ritmo é aquele, pois se parece muito com o pagode que acabou de tocar, ainda mais quando descubro que a música está sendo cantada por um sertanejo e por um baiano carregado de axé, com uma mandinga para se afixar no seu cérebro mais forte do que a reza contida nas músicas rebobinadas da Xuxa.

To indo porque 2012 tá aí e promete ser cúmplice dos maias... aguardem o espetacular Show do Rei no final do ano, com essas novas revelações da música brasileira cantando as paixões de seus pais e avós.